…Os sacramentos são verdadeiros “encontros” com Jesus. Isso não significa que você não possa encontrá-lo por si mesmo na vida cotidiana. É claro que pode, e ele nos diz isso. Jesus também nos indica, porém, maneiras específicas de experimentar uma proximidade com ele de modos diferentes e mais profundos.
Jesus está presente nos sacramentos da Igreja Católica. Eles não são símbolos vazios de Jesus, mas encontros reais com ele. Os sacramentos são, literalmente, as coisas mais importantes de que podemos participar. São as maneiras pelas quais Jesus continua a agir mais intensamente em nossa vida.
É evidente que a graça também pode ser recebida fora dos sacramentos da Igreja Católica; não existe uma doutrina que lhes atribua essa exclusividade. No entanto, o próprio Jesus nos deu os sacramentos para encontrar-se conosco. Ao final de cada descrição, veremos passagens da Escritura que apontam para eles.
Sacramentos da iniciação cristã
Os três primeiros sacramentos são chamados de “sacramentos da iniciação cristã”. Eles introduzem os membros na Igreja e os curam de seus pecados. São encontros de reunião e cura.
Batismo
O termo significa “mergulhar”. O Batismo é a plena entrada na Igreja e o fundamento dos demais sacramentos. O ponto essencial é que a Igreja não é uma associação mundana à qual se adere e da qual depois se sai. Pelo Batismo, entramos no Corpo Místico de Cristo. Jesus encarnou-se e assumiu a natureza humana; depois, na Ascensão, assumiu um Corpo Místico. Pelo Batismo, entramos nesse mesmo Corpo. Não existe um “desbatismo”.
Cristo é a cabeça do Corpo Místico. Depois do Batismo, passamos o resto da vida descobrindo nosso lugar nesse Corpo. Pense no encontro de Paulo — então chamado Saulo — com Cristo no caminho de Damasco. Jesus lhe perguntou: “por que me persegues?” (Atos 9,4; tradução do Pe. Figueiredo). Paulo perseguia os seguidores de Jesus, não o próprio Jesus. Essa é uma indicação clara de como Jesus entra nesse Corpo Místico com seus seguidores.
Somos batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ficamos “ligados” a Cristo e, por meio de Jesus, somos introduzidos na vida interior de Deus.
Quando você entra na igreja, molha os dedos na água benta e faz o sinal da cruz, esse gesto serve para recordar tudo isso, especialmente o seu Batismo.
Os batizados exercem uma função sacerdotal por seus esforços de sacrifício para conduzir as pessoas a Deus. Exercem uma função profética ao testemunhar a verdade por palavras e ações. E exercem uma função régia ao orientar os outros, também por palavras e ações, a empregar seus talentos para fazer avançar o Reino de Deus.
Porque assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, ainda que sejam muitos, são contudo um só corpo: Assim também Cristo.
Porque num mesmo espírito fomos batizados todos nós, para sermos um mesmo corpo, ou sejamos judeus, ou gentios, ou servos, ou livres: E todos temos bebido em um mesmo espírito.
Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos.
Se disser o pé: Porque não sou mão, não sou do corpo: Acaso deixa ele por isso de ser do corpo?
E se a orelha disser: Uma vez que eu não sou olho, não sou do corpo: Porventura deixa ela por isso de ser do corpo?
Se o corpo todo fosse olho: Onde estaria o ouvido? Se fosse todo ouvido: Onde estaria o olfato?
Agora porém Deus pôs os membros no corpo, cada um deles assim como quis.
1 Coríntios 12,12–18 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
O Batismo na Escritura
Jesus deu o exemplo ao ser batizado no rio Jordão por seu primo João Batista:
Então veio Jesus da Galileia ao Jordão ter com João, para ser batizado por ele.
Mateus 3,13 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
Ao subir aos céus, Jesus instruiu os Apóstolos a batizar outras pessoas:
Ide, pois, e ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.
Mateus 28,19 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
Ele confirmou a importância do batismo ao dizer:
Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo, que quem não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no Reino de Deus.
João 3,5 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
A prática de batizar crianças começou cedo na história da Igreja, possivelmente no tempo dos Apóstolos, já que o Novo Testamento inclui relatos de famílias inteiras que receberam o batismo.
E uma mulher, por nome Lídia, da cidade dos Tiatirenos, que comerciava em púrpura, temente a Deus, ouvia. O Senhor lhe abriu o coração, para atender àquelas coisas que por Paulo eram ditas.
E tendo sido batizada, ela e a sua família, fez este pedido, dizendo: Se haveis julgado que eu sou fiel ao Senhor, entrai em minha casa e pousai nela. E nos obrigou a isso.
Atos 16,14–15 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
E batizei também a família de Estéfanas: Não sei porém se tenho batizado a algum outro.
1 Coríntios 1,16 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
Confirmação ou Crisma
A Igreja descreve os crismados como “verdadeiras testemunhas de Cristo”. Devemos compreender a Confirmação como o segundo de três encontros com Cristo na iniciação ao Corpo Místico da Igreja. Pela Confirmação dos que já foram batizados, assumimos com maior intensidade as dimensões sacerdotal, profética e régia.
Os crismados são chamados a fortalecer e defender a fé. Uma descrição expressiva é a de que se tornam “soldados de Cristo”. São enviados em missão.
Uma excelente maneira de compreender a relação entre Batismo e Confirmação é observar a relação entre a Páscoa e Pentecostes. Na Páscoa, Jesus sopra o Espírito Santo sobre os discípulos. Isso se assemelha ao Batismo. Pouco depois, em Pentecostes, o Espírito Santo vem com grande força e os fortalece. Eles se enchem de zelo e partem para levar adiante a missão.
A Escritura faz uma distinção clara entre os sacramentos do Batismo e da Confirmação.
São Filipe, um dos sete “servidores” ou diáconos ordenados na Igreja primitiva (Atos 6,3–6; veja também 1 Timóteo 3,8–13), não o apóstolo Filipe (Mateus 10,3), batiza homens e mulheres na Samaria, entre eles Simão, que antes praticava magia. Filipe, porém, não impõe as mãos sobre os novos cristãos para que recebam o Espírito Santo. Em vez disso, espera que os Apóstolos São Pedro e São João lhes confiram esse sacramento.
Assim, embora os cristãos sejam batizados “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28,19; Pe. Figueiredo), conforme a ordem de Jesus, recebem o Espírito Santo num sacramento distinto, que confirma e fortalece sua vida de fé.
Os crismados recebem, portanto, o Espírito Santo de maneira intensa. Segundo a Tradição católica, seus sete dons são: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus. A interpretação tradicional é aquela desenvolvida por Santo Tomás de Aquino no século XIII, em sua Suma Teológica:
- Sabedoria: o conhecimento e o juízo sobre as “coisas divinas”, bem como a capacidade de julgar e orientar os assuntos humanos segundo a verdade divina.
- Entendimento: uma compreensão penetrante do íntimo das coisas, especialmente das verdades superiores necessárias à nossa salvação eterna; em outras palavras, a capacidade de “ver” Deus.
- Conselho: permite que a pessoa seja conduzida por Deus nos assuntos necessários à sua salvação.
- Fortaleza: firmeza de espírito para fazer o bem e evitar o mal, sobretudo quando isso é difícil ou perigoso, e confiança para superar todos os obstáculos, até os que ameaçam a vida, apoiada na certeza da vida eterna.
- Ciência: capacidade de julgar corretamente as questões de fé e a ação reta, para não se afastar do caminho da justiça.
- Piedade: sobretudo, reverenciar Deus com afeto filial, prestar-lhe culto e cumprir os deveres para com ele e para com todas as pessoas por sua relação com Deus; honrar os santos e não contradizer a Escritura. O latim pietas indica a reverência devida ao pai e à pátria. Como Deus é Pai de todos, seu culto também se chama piedade.
- Temor de Deus: neste contexto, o temor “filial” ou casto pelo qual reverenciamos Deus e evitamos separar-nos dele, em contraste com o temor “servil”, que se limita ao medo do castigo.
Só Jesus Cristo possui essas qualidades heroicas em sua plenitude, mas ele as comunica livremente aos membros de seu Corpo Místico, a Igreja. Cada cristão nasce com essas qualidades como um dom permanente, que depois se cultiva pelo exercício das sete virtudes e é selado no sacramento da Confirmação. São também chamadas de dons santificadores do Espírito, pois ajudam as pessoas a crescer em santidade e a preparar-se para o céu, tornando-as dóceis às inspirações do Espírito Santo.
A Confirmação na Escritura
Na Confirmação, um cristão já batizado é ungido na fronte com o santo crisma. Depois da imposição das mãos, o ministro diz: “Recebe, por este sinal, o Espírito Santo, o Dom de Deus.” Esta é a fórmula em português apresentada pela CNBB. Na Escritura, o batismo e a efusão do Espírito Santo aparecem frequentemente ligados, e a Igreja ensina que a Confirmação completa a graça batismal.
Não por obras de justiça que tivéssemos feito nós outros, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pelo batismo de regeneração, e renovação do Espírito Santo,
Tito 3,5 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
Depois de Pentecostes, os Apóstolos impunham as mãos sobre os cristãos recém-batizados, que assim recebiam o dom do Espírito Santo:
Os Apóstolos, porém, que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a palavra de Deus, mandaram-lhes lá Pedro e João.
Os quais, como chegaram, fizeram oração por eles, a fim de receberem o Espírito Santo.
Porque ele ainda não tinha descido sobre nenhum deles, mas somente tinham sido batizados em nome do Senhor Jesus.
Então punham as mãos sobre eles, e recebiam o Espírito Santo.
Atos 8,14–17 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
Eucaristia
Veja o tema mais extenso dedicado à Eucaristia.
Sacramentos de cura
Depois dos sacramentos da iniciação, vêm os sacramentos de cura: Penitência e Reconciliação e Unção dos Enfermos. A iniciação nos reúne na Igreja; os sacramentos de cura oferecem a renovação de que precisamos para continuar em missão. Todos nos afastamos de Deus pelo pecado. Esses sacramentos nos trazem de volta e purificam nossa alma.
Penitência e Reconciliação
Pecar é afastar-se do “louvor correto”. Muitas vezes, adoramos coisas como riqueza, poder, honra e prazer. “Reconciliar” significa, literalmente, voltar a ficar “cílio a cílio”: uma metáfora de voltar a dirigir nosso olhar para Deus. A Penitência e a Reconciliação são os meios mais íntimos, instituídos por Jesus, para retomarmos o caminho e o “louvor correto”.
Se considerarmos a missão de Jesus e a razão de sua vinda, veremos que ele veio para perdoar nossos pecados.
Contrição, confissão e satisfação são os elementos principais desse sacramento. Contrição significa “esmagamento”. O pecador deve sentir-se esmagado por seus pecados. Essa é a disposição correta e o primeiro passo para aproximar-se da confissão. Infelizmente, o mundo em que vivemos é dominado pelo relativismo e por outros mecanismos que procuram convencer-nos de que nada é realmente nossa culpa.
Depois vem a confissão: a ideia básica é confessar os pecados mortais cometidos desde a última confissão.
A satisfação é a penitência de quem se confessa. O pecado sempre envolve uma parte ferida ou uma injustiça. É importante fazer o possível para reparar o dano. Se houver uma maneira prática de resolver a situação, é preciso fazê-lo. Outras formas de satisfação incluem a prática comum de receber orações para rezar.
Os católicos têm a obrigação de se confessar pelo menos uma vez por ano.
Nove em cada dez daquilo que chamamos de ideias novas são apenas erros antigos. A Igreja Católica tem, entre suas principais tarefas, impedir que as pessoas cometam esses erros antigos, repetindo-os sem cessar, como sempre fazem quando são deixadas a si mesmas… Não existe outro exemplo de uma instituição inteligente e contínua que venha pensando sobre o pensamento há dois mil anos.
G. K. Chesterton — tradução da citação no artigo original.
A Penitência e a Reconciliação na Escritura
Durante a confissão, os penitentes se arrependem dos pecados, confessam-nos ao sacerdote e depois fazem reparação por meio da penitência que lhes é imposta. Com a autoridade da Igreja, o sacerdote perdoa os pecados em nome de Cristo. Quando Jesus ensinou seus discípulos a rezar, mandou que pedissem perdão a Deus:
E perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo o que nos deve.
Lucas 11,4 — trecho — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
Ao chamar seus discípulos, Jesus lhes disse que se arrependessem:
e dizendo: Pois que o tempo está cumprido, e se aproximou o Reino de Deus; fazei penitência e crede no Evangelho.
Marcos 1,15 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
Só Deus pode perdoar os pecados, mas Jesus confiou aos seus Apóstolos o poder de absolvê-los:
E ele lhes disse segunda vez: Paz seja convosco. Assim como o Pai me enviou a mim, também eu vos envio a vós.
Tendo dito estas palavras, assoprou sobre eles: E disse-lhes: Recebei o Espírito Santo:
Aos que vós perdoardes os pecados, ser-lhes-ão eles perdoados: E aos que vós os retiverdes, ser-lhes-ão eles retidos.
João 20,21–23 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
Depois da Ascensão de Cristo, os discípulos partem pelo mundo e continuam seu ministério de reconciliação:
E tudo vem de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo: Que confiou de nós o ministério da reconciliação:
Porque certamente Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo, não lhes imputando os seus pecados, e ele é o que pôs em nós a palavra da reconciliação.
Logo nós fazemos o ofício de embaixadores em nome de Cristo, como que Deus vos admoesta por nós outros. Por Cristo vos rogamos que vos reconcilieis com Deus.
2 Coríntios 5,18–20 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
Unção dos Enfermos
Jesus não ignorou o sofrimento humano enquanto esteve neste mundo; entrou diretamente nele. Procurou os que sofriam e lhes ofereceu cura e consolo. Muitas vezes, chegamos a momentos da vida em que estamos praticamente sem recursos. Quando nos voltamos para Deus nesses momentos, vivemos algumas das experiências mais intensas de nossa vida espiritual.
Em outros sacramentos, essa incapacidade pode assumir a forma do pecado. Talvez não consigamos escapar de um modo de vida ou de um comportamento que nos afasta de Deus e precisemos de ajuda para voltar. Pense na Unção dos Enfermos como a mesma dinâmica, quando somos vencidos pela doença do corpo, em vez da doença do pecado, e precisamos de auxílio.
Depois dos Evangelhos, nos quais Cristo não cessava de curar os doentes, os Atos dos Apóstolos continuam a mencionar as curas realizadas pelos Apóstolos e discípulos. Até hoje, entre seus muitos serviços de cura, a Igreja Católica mantém a maior rede hospitalar do mundo.
Esse sacramento antes era administrado apenas a quem se encontrava no “leito de morte” iminente. Isso, porém, foi esclarecido e ajustado para incluir pessoas em situação de doença grave, sem que necessariamente estejam à beira da morte.
O mundo moderno vive obcecado até pelo pensamento da morte. A visão católica é o contrário: a morte é uma passagem para nosso destino maior. A Unção dos Enfermos deve ser uma ponte de auxílio ao longo dessa jornada.
A fórmula litúrgica da unção
O início da fórmula brasileira, conforme o Diretório dos Sacramentos da Diocese de Santos, n.º 189, é:
Por esta santa unção e pela sua infinita misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo.
A fórmula prossegue com o pedido de libertação dos pecados, salvação e alívio dos sofrimentos pela bondade do Senhor. Consulte a fórmula completa no diretório diocesano citado acima.
Do Espírito Santo vem a graça do conforto; paz e coragem são efeitos desse sacramento. A Igreja também ensina que a Unção dos Enfermos une a pessoa à Paixão de Cristo. A maneira mais clara de explicar isso é que nosso sofrimento pode beneficiar os outros, pois estamos unidos a todos no Corpo Místico. Somos chamados a aceitar o sofrimento no espírito de Cristo na cruz. Ao acolhê-lo assim, a graça é comunicada e se estende aos outros.
A Unção dos Enfermos na Escritura
Na Unção dos Enfermos, um sacerdote unge uma pessoa que enfrenta dificuldades por causa de doença grave ou da velhice e pede, em oração, que ela receba a graça do sacramento. Ao longo dos Evangelhos, Cristo demonstra seu poder de curar as pessoas, espiritual e fisicamente, para o bem de quem sofre e daqueles que estão ao seu redor.
Qual é mais fácil: dizer ao paralítico: Os teus pecados te são perdoados, ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito e anda?
Ora para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico).
A ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa.
E no mesmo instante ele se levantou e, tomando o seu leito, partiu à vista de todos, de maneira que se admiraram todos e louvaram a Deus, dizendo: Nunca vimos coisa semelhante.
Marcos 2,9–12 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
Jesus também disse que seus discípulos teriam o poder de curar as pessoas:
E estes sinais seguirão aos que crerem: Expulsarão os demônios em meu Nome, falarão novas línguas. […] Porão as mãos sobre os enfermos, e sararão.
Marcos 16,17–18 — trechos — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
São Paulo escreveu sobre o dom de curar:
E a cada um é dada a manifestação do espírito para proveito.
Porque a um pelo espírito é dada a palavra de sabedoria: À outro porém a palavra de ciência, segundo o mesmo espírito:
A outro a fé pelo mesmo espírito: A outro graça de curar as doenças em um mesmo espírito:
1 Coríntios 12,7–9 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
A Igreja crê na cura dos enfermos por meio do cuidado físico de quem está doente, da oração de intercessão (artigo em inglês) e da Unção dos Enfermos, um rito descrito por São Tiago:
Está entre vós algum enfermo? Chame os Presbíteros da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor:
E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o aliviará: E se estiver em alguns pecados, ser-lhe-ão perdoados.
Tiago 5,14–15 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
Sacramentos a serviço da comunhão
Os dois últimos sacramentos, de serviço, dizem respeito à missão e à formação da estrutura da sociedade.
Fomos feitos à semelhança de Deus. Os seres humanos são criaturas sociais, destinadas a viver em comunidade, a ser fecundas e a multiplicar-se.
Na vida de Cristo, vemos e ouvimos falar do amor ao próximo. Ao dar, podemos receber e desenvolver-nos até nos tornarmos o melhor que podemos ser.
A Ordem e o Matrimônio estão no centro da vida da Igreja porque ambos reconhecem a importância do amor oferecido no serviço aos outros.
Matrimônio
O casamento existe desde muito antes da Igreja, mas ela o elevou a algo maior: o dom de si a outra pessoa. A Bíblia, de fato, começa e termina com um casamento. O próprio Jesus é a união da divindade e da humanidade.
Cristo na cruz é a imagem do matrimônio: ele se entrega inteiramente à sua esposa, a Igreja. O matrimônio é uma instituição natural; casar-se na Igreja, por esse sacramento, porém, significa assumir um compromisso e reconhecer que Deus uniu o casal e que o ser humano não deve nem pode separá-lo. Os noivos conferem o sacramento um ao outro, enquanto o sacerdote e os demais presentes o testemunham.
O sacramento do Matrimônio fortalece o amor. Trata-se do verdadeiro amor cristão, que consiste em querer o bem do outro. Cada pessoa no matrimônio tem como objetivo fazer do cônjuge um santo.
Além disso, o matrimônio deve acolher filhos, se possível, educá-los bem e criá-los nos caminhos de Cristo. Desde muito cedo na história da fé, a família era chamada de “pequena igreja”.
O grande paradoxo do matrimônio é que, quanto mais cada cônjuge cresce em sua relação com Cristo e nele concentra a vida, mais próxima se torna a relação entre ambos.
O Matrimônio na Escritura
No matrimônio, um homem e uma mulher se entregam livremente um ao outro numa união que os vincula por toda a vida. A Sagrada Escritura começa com a criação do homem e da mulher e termina com uma festa de casamento.
E criou Deus o homem à sua imagem: fê-lo à imagem de Deus, e criou-os macho e fêmea.
Gênesis 1,27 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
Alegremo-nos e exultemos: E demos-lhe glória: Porque são chegadas as bodas do Cordeiro, e a sua esposa está ataviada.
Apocalipse 19,7 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
A fidelidade de Deus a Israel no Antigo Testamento reflete um matrimônio fiel, embora a maneira como os israelitas tratam Deus se assemelhe mais a um casamento marcado pela infidelidade:
E o Senhor me disse: Vai ainda, e ama a uma mulher amada de seu amigo e adúltera: Assim como o Senhor ama os filhos de Israel, ainda quando eles põem os olhos nuns deuses estrangeiros, e gostam do bagaço das uvas.
Oseias 3,1 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
Cristo falou explicitamente aos seus seguidores sobre o matrimônio como uma união para toda a vida:
Responderam eles: Moisés permitiu escrever libelo de repúdio e despedi-la.
Aos quais respondendo Jesus, disse: Pela dureza de vosso coração é que ele vos deixou escrito esse mandamento.
Porém, no princípio da criação, Deus os fez homem e mulher.
Por isto deixará o homem a seu pai, e a sua mãe, e se ajuntará a sua mulher.
E serão dois numa só carne. Assim que eles já não são dois, mas uma só carne.
O que Deus, pois, ajuntou, não o separe o homem.
E tornaram a fazer-lhe seus discípulos em casa perguntas sobre a mesma matéria.
Ele lhes disse: Qualquer que repudiar a sua mulher e se casar com outra, comete adultério contra a sua primeira mulher.
E se a mulher repudiar a seu marido e se casar com outro, comete adultério.
Marcos 10,4–12 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
Jesus realizou seu primeiro milagre nas bodas de Caná, quando transformou água em vinho. O Catecismo, n.º 1613, ressalta a importância de sua presença nesse casamento: ela confirma a bondade do matrimônio e anuncia que ele será um sinal eficaz da presença de Cristo.
São Paulo disse aos efésios que amassem suas esposas com um amor de entrega e sacrifício:
Vós, maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja, e por ela se entregou a si mesmo,
Efésios 5,25 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
Ordem
A função fundamental e decisiva da Ordem é proporcionar um sacramento pelo qual alguns membros da Igreja podem transmitir e administrar os demais sacramentos. Isso é vital para a continuidade da Igreja.
Os sacerdotes são configurados a Cristo, e Cristo desposou a Igreja. Nesse sentido, os sacerdotes são considerados desposados com a Igreja. O sacerdote dá vida, como acontece no Matrimônio, mas o faz comunicando os sacramentos ao seu rebanho.
A Ordem é o sacramento pelo qual a missão confiada por Cristo aos Apóstolos continua a ser exercida na Igreja até o fim dos tempos. Ela compreende os graus do episcopado, do presbiterado e do diaconado: bispos, sacerdotes e diáconos.
Assim como, no Matrimônio, cada cônjuge procura conduzir o outro à santidade, a missão própria do sacerdote é conduzir os batizados à santidade.
A Ordem na Escritura
No Antigo Testamento, Deus reservou a tribo de Levi para o serviço litúrgico. O Novo Testamento relaciona o ministério sacerdotal da Nova Aliança com o da Antiga:
Porque todo o Pontífice assunto de entre os homens é constituído a favor dos homens naquelas coisas que se referem a Deus, para que ofereça dons e sacrifícios pelos pecados.
[…] E nenhum usurpa para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Aarão.
Assim também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer Pontífice: Mas aquele que lhe disse: Tu és meu filho, eu hoje te gerei.
Como também diz noutro lugar: Tu és Sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedec.
Hebreus 5,1.4–6 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
Pelo sacramento da Ordem, continua a missão que Cristo confiou aos seus Apóstolos. Isso começou nos primeiros dias da Igreja:
Eu pelo motivo que vou a dizer é que te deixei em Creta, para que regulasses o que falta, e estabelecesses presbíteros nas cidades, como também eu to mandei.
Tito 1,5 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
A Ordem compreende três graus: episcopado, presbiterado e diaconado — isto é, bispos, sacerdotes e diáconos. O sacramento é conferido pela imposição das mãos, seguida de uma solene oração de ordenação:
Não desprezes a graça, que há em ti, que te foi dada por profecia pela imposição das mãos do Presbitério.
1 Timóteo 4,14 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
Pelo qual motivo te admoesto que tornes a acender o fogo da graça de Deus, que recebeste pela imposição das minhas mãos.
2 Timóteo 1,6 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
Segundo o Catecismo da Igreja Católica, na Igreja latina os sacerdotes permanecem celibatários para se consagrarem ao Senhor com um coração indiviso.
Porque há uns castrados, que nasceram assim do ventre de sua mãe; e há outros castrados, a quem outros homens fizeram tais: E há outros castrados que a si mesmos se castraram por amor do reino dos Céus. O que é capaz de compreender isto, compreenda-o.
Mateus 19,12 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
Quero pois que vós vivais sem inquietação. O que está sem mulher, está cuidadoso das coisas que são do Senhor, de como há de agradar a Deus.
1 Coríntios 7,32 — tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo; ortografia e pontuação atualizadas.
A seguir… O sacramento da Eucaristia é a fonte e o ápice da fé católica. Ele nos convida a um mergulho profundo na Escritura e na Tradição.

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Síntese
Os sete sacramentos da Igreja Católica têm sua base na Escritura e constituem as práticas centrais dos fiéis. Eles nos levam a encontrar Cristo de maneira especial. É possível, evidentemente, encontrar Cristo fora dos sacramentos, e a Igreja não afirma o contrário. Mas Cristo nos deu os sacramentos por uma razão.
Leituras recomendadas
A fé explicada, de Leo J. Trese, Editora Quadrante. Alternativa católica em português que inclui uma exposição dos sacramentos e da oração.
O Sacerdote não se Pertence, de Fulton J. Sheen, Editora Molokai. Alternativa em português para aprofundar a vocação sacerdotal e a vida sacramental.
Imagem de abertura
Obra: A Disputa do Santíssimo Sacramento, de Rafael Sanzio. Título em português empregado pelos Museus Vaticanos e pelo Vatican News.
A pintura apresenta uma cena com testemunhas na terra e no céu. Encontra-se nos Museus Vaticanos e mede cerca de 5 por 7,6 metros. Sem compreender o significado desse afresco, é fácil deixar de perceber toda a sua beleza.
Jesus está sentado num trono, com as marcas dos cravos visíveis, e Deus Pai aparece atrás dele. O Espírito Santo está abaixo. Maria, sua mãe, e João Batista, seu primo e precursor, aparecem sentados junto de Jesus. Juntos, Maria, João e as três Pessoas da Santíssima Trindade formam a figura de uma cruz.